quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Tenho fome


Você tem fome de quê?
Eu...tenho fome de muitas coisas...
Tenho fome de ser mais que ter, de mais vida, justiça e amor.
Da saudade que espera, da vontade de desejo.
De amizades sinceras, sorriso de criança, gargalhadas de gente feliz.
De convivência fácil, por uma tolerância maior.
De chuva que rega a terra e produz novos frutos.
De trizteza que humaniza, das dificuldades que me tragam mais coragem, de lutas que me presenteie com uma doce e justa vitória, mas, principalmente, das perdas que ensinam a lidar com as frustrações de cada dia.
Do abraço amigo, da honra e do caráter.
Da gratidão e do altruísmo.
Do trabalho com prazer, de liberdade e criatividade.
De mais afetos e aprendizados com novas histórias pra contar.
De beijo na boca demorado, de andar descalço, de sol e de mar.
De boas lembranças, despedidas e reencontros.
De viajar, aprender e ensinar.
De ser uma pessoa melhor.
Tenho muita fome do Deus criador, da eternidade de paz, e de conseguir cumprir os ensinamentos que meu mestre Jesus ensinou.
De tudo isto e um pouco mais fome tenho, e você, tem fome de quê?
Karina Horst
08/12/10

DAS UTOPIAS
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

Mário Quintana

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O topo da montanha


O valor de uma conquista pode ser plural e individual

Ouço muito falar que as pessoas só dão valor as coisas que conseguem com sacrifício, penso não ser isto uma verdade absoluta.

Acredito que cada um tem uma lente própria para ver a vida e assim sentir e analisar suas escolhas, suas perdas e seus ganhos.

Por exemplo, se a meta de uma conquista é chegar ao topo da montanha, não necessariamente o que vai a pé dará mais valor do que o que vai de helicóptero.

Avaliando o esforço físico e as experiências adquiridas nessa longa caminhada, podemos dizer que este que a pé vai, terá mais ganhos. Entretanto, dependendo da forma de se ver a vida, o que foi de helicóptero não perderá tanto, uma vez que o objetivo era chegar no topo da montanha, e a avaliação de experiências adquiridas no caminho são pessoais.

Penso que chegar, independente do esforço feito, será valoroso para ambos, principalmente se na demora e nas dificuldades encontradas, acontecer de alguém desistir, ou não receber com o mesmo vigor, com o mesmo entusiasmo, a vitória. E isso é passível de ocorrer, nem sempre há total alegria em uma conquista anteriormente muito almejada.

Vencedor ao meu ver, é o que a partir da conquista, sabe permanecer e investir para outras dali em diante. O topo algumas vezes é o princípio de um precipício, deve-se aprender a sair dali sem perder o que conquistou, e então, tanto faz quem subiu de helícoptero ou caminhando, ambos terão que vencer esta nova etapa com criatividade, disposição e desejo.

O melhor está no sentido desta conquista para cada um, no valor atribuído para o possuidor ao que possui.

Em ambos os casos, não concordo com aqueles que burlam regras para se dar bem a qualquer preço, não se importando em por cima dos outros passar. Não concordo com quem justifica os meios pelos fins.

Perdendo ou ganhando os valores morais e cristãos devem estar sempre muito bem alicerçados nas batalhas, para que a guerra valha à pena ser lutada e vencida.

A força, a hombridade, a dignidade de um homem nas adversidades é que provam o seu caráter. A forma de lidar em cada situação é que revela quem dará mais valor ao que ganhou, independente da força que fez para conseguir.

É assim que hoje eu penso.

Karina Horst

15/11/2010

domingo, 31 de outubro de 2010

Eu desisto


Por Thaís Candorim

"É isso mesmo, entreguei os pontos, não dá mais, acabou.
Essa frase soa com tanta força, não é?
Mas é verdade, eu desisti mesmo.
De um monte de coisas.
Desisti de reclamar de quem não quer aprender. Decidi me concentrar em quem quer...
E se você olhar bem direitinho, perto de você tem um monte de gente sedenta de conhecimento.
Desisti de tentar emagrecer para ser igual a todo mundo.
Resolvi ter o peso que eu devo ter, por uma questão de saúde, por uma questão de bem estar.
Só isso.
Desisti de tentar fazer com que as pessoas pensem do jeito que eu gostaria que elas pensassem.
Achei melhor buscar respeitar o outro do jeito que ele é.
Imagina se o mundo fosse feito de milhões de pessoas iguais a mim...
Ah, isso ia ser um tormento!
Desisti de procurar um emprego perfeito e apaixonante.
Achei que estava na hora de me apaixonar pelo meu trabalho e fazer dele o acontecimento mais incrível da minha vida, enquanto ele durar.
Desisti de procurar defeito nas pessoas.
Achei que estava na hora de colocar um filtro e só ver o que as pessoas têm de melhor.
Defeito todo mundo acha, quero ver achar qualidades em quem parece não tê-las.
Desisti de ter o celular mais “psico-tecno-cibernético” do mercado. Agora eu só quero um telefone, pra falar.
É muito frustrante comprar o mais novo modelo e dias depois ver que ele já foi superado. É pra isso que a indústria trabalha.
Aproveitei o gancho e apliquei o conceito também a outros produtos: relógio, computador, máquina fotográfica, carro.
Desisti de impor minha opinião sobre tudo.
Decidi que de agora em diante vou ouvir todas as opiniões, mesmo as contrárias, e vou tentar tirar proveito de cada uma delas.
É mais barato compartilhar as opiniões do que brigar pra manter só uma.
Desisti de ter tanta pressa. Tudo na vida tem seu tempo, e se não acontecer, não era pra acontecer.
Não quer dizer que eu vou “deixar a vida me levar” e parar de correr atrás do que eu acredito, mas não vou me desesperar se eu perder o vôo.
Sei lá o que vai acontecer com o avião...
Desisti de correr da chuva.
Tem coisa mais bacana que tomar banho de chuva?
Há quanto tempo você não sente aquele cheiro de terra molhada?
E se o resfriado chegar, qual o problema? Não vai ser o primeiro nem o último.
Desisti de estudar por obrigação. Agora eu faço da leitura um momento de prazer...
Cadeira confortável, pezão pra cima, um chocolate quente, minha gata ronronando do lado.
Os livros agora ficaram menores e mais fáceis, mesmo que seja a CLT ou a NBR 9004.
Desisti de buscar uma planilha de indicadores toda verdinha.
Os índices são assim mesmo, às vezes melhoram, às vezes pioram. Isso é o mundo real.
Eu não vou deixar de fazer a gestão sobre eles, mas decidi que não vou mais sofrer por isso.
Bons ou ruins eles devem gerar aprendizado e isso é o mais importante.
Desisti de trabalhar para fazer o meu sistema da qualidade ser perfeito.
Eu prefiro mantê-lo sob controle, funcionando, ajudando as pessoas, ajudando os processos, dando resultados, mesmo que aos poucos.
Com essa filosofia eu ganhei um monte de parceiros, ao invés de cultivar inimigos.
Se eu fosse você, desistia também...
Tem um monte de coisas que você faz, carrega e sente, que não precisa.
Pense nisso!!!"

Lendo este texto me identifiquei com quase tudo que ali escrito está.
Eu também estou desistindo de muitas coisas, em busca de conseguir desitir de tantas outras.
Percebi que não somos donos da verdade,e que nem sempre temos razão. Estamos em um processo de conhecimento, e muitas vezes aquilo que hoje é verdade pra nós, daqui um ano deixou de ser. Evidente que existem verdades imutáveis, mas elas estão para além de conceitos pessoais.
Na pluralidade de encontros e na diversidade de diferenças, é possível abrir mão e ceder. Já fiz isso e percebi que a vida naquele instante ficou mais leve e sob controle.
Estou desistindo de carregar fardos impostos por olhares que se dizem tudo saber e cobranças perversas com sabor de pura inveja.
Sigo cantando e buscando desistir de tudo que escraviza minha mente, ou que me torne uma pessoa amarga e maldoza, egocêntrica e orgulhosa, cruel e iracunda.
Temos o bem e o mal dentro de nós, cabe escolhermos qual deles vamos alimentar.
Karina Horst
31/10/10

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Solidão contente

Ivan Martins, editor-executivo de ÉPOCA

Ontem eu levei uma bronca da minha prima. Como leitora regular desta coluna, ela se queixou, docemente, de que eu às vezes escrevo sobre “solidão feminina” com alguma incompreensão.

Ao ler o que eu escrevo, ela disse, as pessoas podem ter a impressão de que as mulheres sozinhas estão todas desesperadas – e não é assim. Muitas mulheres estão sozinhas e estão bem. Escolhem ficar assim, mesmo tendo alternativas. Saem com um sujeito lá e outro aqui, mas acham que nenhum deles cabe na vida delas. Nessa circunstância, decidem continuar sozinhas.

Minha prima sabe do que está falando. Ela foi casada muito tempo, tem duas filhas adoráveis, ela mesma é uma mulher muito bonita, batalhadora, independente – e mora sozinha.

Ontem, enquanto a gente tomava uma taça de vinho e comia uma tortilha ruim no centro de São Paulo, ela me lembrou de uma coisa importante sobre as mulheres: o prazer que elas têm de estar com elas mesmas.

“Eu gosto de cuidar do cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá com a cachorra nos pés e curtir a minha casa”, disse a prima. “Não preciso de mais ninguém para me sentir feliz nessas horas”.

Faz alguns anos, eu estava perdidamente apaixonado por uma moça e, para meu desespero, ela dizia e fazia coisas semelhantes ao que conta a minha prima. Gostava de deitar na banheira, de acender velas, de ficar ouvindo música ou ler. Sozinha. E eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim, achava que era um sintoma de falta de amor.
Hoje, olhando para trás, acho que não tinha falta de amor ali. Eu é que era desesperado, inseguro, carente. Tivesse deixado a mulher em paz, com os silêncios e os sais de banho dela, e talvez tudo tivesse andado melhor do que andou.

Ontem, ao conversar com a minha prima, me voltou muito claro uma percepção que sempre me pareceu assombrosamente evidente: a riqueza da vida interior das mulheres comparada à vida interior dos homens, que é muito mais pobre.

A capacidade de estar só e de se distrair consigo mesma revela alguma densidade interior, mostra que as mulheres (mais que os homens) cultivam uma reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos homens simplesmente desconhecem.

A maior parte dos homens parece permanentemente voltada para fora. Despeja seus conflitos interiores no mundo, alterando o que está em volta. Transforma o mundo para se distrair, para não ter de olhar para dentro, onde dói.

Talvez por essa razão a cultura masculina seja gregária, mundana, ruidosa. Realizadora, também, claro. Quantas vuvuzelas é preciso soprar para abafar o silêncio interior? Quantas catedrais para preencher o meu vazio? Quantas guerras e quantas mortes para saciar o ódio incompreensível que me consome?

A cultura feminina não é assim. Ou não era, porque o mundo, desse ponto de vista, está se tornando masculinizado. Todo mundo está fazendo barulho. Todo mundo está sublimando as dores íntimas em fanfarra externa. Homens e mulheres estão voltados para fora, tentando fervorosamente praticar a negligência pela vida interior – com apoio da publicidade.

Se todo mundo ficar em casa com os seus sentimentos, quem vai comprar todas as bugigangas, as beberagens e os serviços que o pessoal está vendendo por aí, 24 horas por dia, sete dias por semana? Tem de ser superficial e feliz. Gastando – senão a economia não anda.

Para encerrar, eu não acho que as diferenças entre homens e mulheres sejam inatas. Nós não nascemos assim. Não acredito que esteja em nossos genes. Somos ensinados a ser o que somos.

Homens saem para o mundo e o transformam, enquanto as mulheres mastigam seus sentimentos, bons e maus, e os passam adiante, na rotina da casa. Tem sido assim por gerações e só agora começa a mudar. O que virá da transformação é difícil dizer.

Mas, enquanto isso não muda, talvez seja importante não subestimar a cultura feminina. Não imaginar, por exemplo, que atrás de toda solidão há desespero. Ou que atrás de todo silêncio há tristeza ou melancolia. Pode haver escolha.

Como diz a minha prima, ficar em casa sem companhia pode ser um bom programa – desde que as pessoas gostem de si mesmas e sejam capazes de suportar os seus próprios pensamentos. Nem sempre é fácil.

* * *

(Mas finalmente, quando se aprende, é sensacional!)

Por gentileza Ivan, agradeça a sua prima por mim!
Amei ler um texto tão intensamente coerente com a mulher contemporânea, e mais, me reconhecer entre elas.
Ter alguém ao lado que valha à pena, que se encaixe bem ao nosso dia a dia é maravilhoso. Mas quando não é bem assim, estar só torna-se opcional para quem sabe se amar e já conseguiu ser sua melhor companhia feliz sozinha.
Para quem ainda não conseguiu, é mais difícil abarcar esta compreensão.
Aprendi certa vez e vejo que é certo,"ninguém é feliz com alguém enquanto não aprender ser feliz sozinho!"
Karina Horst

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A menina e os balões


Numa tarde de domingo crianças brincavam em uma praça pública. Algumas se balançavam outras corriam pra lá e pra cá, outras jogavam bola. Em meio a todas essas, havia uma menina de vestido rosa, sozinha hipnotizada olhando para o céu sorrindo.
Curiosamente, olhei e nada vi de tão especial além de alguns balões coloridos que parecia ter se soltado de algum lugar.
Olhei de volta e ela continuava lá, parada no tempo com o olhar fixo para os balões como se estivesse sido hipnotizada.
A cena era no mínimo curiosa, e deu-me uma vontade enorme de ir até aquela garotinha e perguntar o que tanto a encantava lá em cima de onde não tirava os olhos.
Ali fiquei entre um pensamento e outro, entre um ímpeto de ir até ela e outro de ficar para não incomodá-la e então, de repente ela se levantou e se foi em direção a alguém.
Tão absorta em meus pensamentos estava, que não percebi quando uma senhora chegou perto e a chamou, levando a pelas mãos a caminho da rua.
Decidi retornar para a leitura do meu livro, olhando mais uma vez para um céu que já não tinha mais o colorido daqueles balões e também não havia ali naquele lugar a alegria daquela garotinha. Imediatamente me bateu uma saudade nostálgica, e recordei da minha infância, quando com meus primos subíamos nas mangueiras da fazenda do tio Abel, para comermos manga no pé. Fechei automaticamente o livro na tentativa outra vez frustrada de retornar a leitura, e ali meu pensamento foi tomado de inúmeras lembranças felizes.
Lembrei-me dos passeios a cavalo, do dia em que um disparou comigo até sua coxia e ali empacou. Das lindas bolinhas de gude que colecionava além dos álbuns de figurinha e papéis de carta. Da Susi ciclista que ganhei de aniversário do meu tio Eudes que a colocou para andar em volta do bolo. Do mundo feliz que meu pai me deu antes de morrer e até hoje ainda guardo comigo. Dos amigos que brincávamos de pique esconde, bandeirinha, elástico, amarelinha, pingue pong, quebra-cabeças, e tantas outras brincadeiras mais. Dos retiros da igreja que não queríamos ir dormir para brincar mais. Da primeira viagem que fiz sozinha com a turma da escola, para o play Center, Cidade das crianças e Simba Safári em São Paulo. Da minha avó em Minas, atrás do porco e fazendo toucinho pra gente. E de quando ela no inverno me arrumava para escola ainda debaixo da coberta. Dos pães que ela fazia em casa, das canções que ela cantava para eu dormir.
Dos postes tortos que fui enganada a olhar para parar de chorar na estrada quando me tiraram o picolé para dar a minha prima mais nova que deixou o dela cair no chão.
De quando aprendi sozinha e em um dia a andar de patins e no dia seguinte meu braço doía tanto que parecia quebrado. De quando aprendi em Brasília a andar de bicicleta e caí em cima de uma planta de espinhos que tem muito lá. Fiquei com espinhos espalhados pelo corpo, minha mãe teve que me ajudar a tirá-los, e pra falar a verdade nem me lembro se doeu.
Boas lembranças tomaram-me de súbito os pensamentos, e retornando ao meu tempo, ainda com um esboço de sorriso nos lábios me dei conta ao olhar o relógio de que estava ali sozinha sentada naquele lugar onde já findava a luz do dia por um bom tempo.
Minhas tenras lembranças absorveram-me no espaço e no tempo e então me lembrei mais uma vez da garotinha que olhava para o céu encantada com os balões e sorri.
Karina Horst de Freitas
01/10/10 12:30h
O que meu mais que tio querido, pai do coração, me escreveu de volta...

Karina, querida, Karina.
Gosto dos teus escritos. Você tem uma alma nobre, criativa, produto da graça abençoadora de Deus. Consola antes de ser consolada, como um reflexo do amor que nos amou primeiro. Deus te abençoe mais e mais.
Senti o desejo de também escrever-te e o faço neste instante, sobre "Mais um pouco de Mim".

=== Sonhos de Karina ===
Sonhos, são lembranças encantadas da infância,
Bem vivida ou mal amada.
Sonhos, são caminhos de esperança,
roubada ainda na infância.
Sonhos, são suspiros de desejos incontidos na alma,
Que vem, às vezes de repente, em plena calma.
Sonhos, são sintomas do infinito,
Da alma silenciosa em seu grito.
Sonhos, sonhos, quantos sonhos,
Tristes, alegres ou rizonhos;
Como marcas profundas da alma em aflição,
Que se aquece, só, no coração.
Sonhos, como nuvens brancas, na amplidão;
Na tela imensa do universo;
Que pinta em frente e verso,
De azul ou de outra cor,
Nos múltiplos tons de se viver a dor.
Sonhos, que sonham todos os mortais,
Que um dia passarão, além,
Dos sonhados que ficaram antes dos portais.
Sonhos, acalentados na esperança,
Que surgem do baú de todas as lembranças;
Retratos sem parede, em preto e branco, amarelados;
Pegadas apagadas de ventos ou bonanças.
Sonhos, que tocam as rodas do tempo,
Tempo passado, ou passando,
Vivido, amado ou amando.
Sonhos, de um tempo de menina,
Pequenina, nos braços paternais
De quem um dia te chamou KARINA!
Sonhos, doces, puros, eternais !
Eudes Horst
Recife, 30 de outubro de 2010

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Sob o sol de Toscana


Assistindo ao filme sob o sol de toscana pela segunda ou terceira vez não me recordo bem, reacendeu em mim uma nova esperança nas palavras do autor através de sua história romântica e seus personagens muito bem representados.
Esta surpreendente história, nos passa em meio a uma belíssima paisagem, cenas de uma realidade que nos faz sentir bem semelhantes.
Frances, personagem da atriz Diane Lane, é uma escritora feliz até descobrir a traição do marido e se divorciar. Sua amiga, não podendo ir mais a excursão marcada para Toscana, oferece a ela suas passagens, e ela então resolve aceitar para se distrair um pouco. Mas, ao chegar lá, impactada com algumas coincidências, resolve comprar e reformar uma casa velha mudando radicalmente o rumo de sua vida.
Logo que chegou à cidade, observou uma mulher exótica que passeava pela feira como se estivesse indo para uma festa, mais tarde, esta veio ser naquele lugar uma querida amiga conselheira e incentivadora.
Esta que se chamava Katherina, aos poucos vai abrindo os olhos sofridos e desesperançosos de Frances ao relatar suas histórias de vida, relembrando algumas das sábias palavras que ouvia de alguém do passado dela.
Em meio a tantas pessoas desconhecidas, ela encontra no corretor, que vendeu e a ajudou a encontrar as pessoas certas para reformar a casa, um amigo especial e presente. Em um dia onde acabou tendo ataque de nervos depois de ver uma cobra entrando no seu quarto, em total desespero ela começa a pensar arrependida, no que estava fazendo ali naquela casa enorme, totalmente só. Pacientemente, este novo amigo conta a ela sobre os trilhos que foram construídos entre Suíça e Veneza antes mesmo de existir o trem que passaria por ali. E este fato trás ao seu coração nova fé e esperanças.
No desenrolar do filme, ela conhece Marcelo, um homem lindo e maravilhoso que parece cair do céu, mas que por variados desencontros, este romance não vai à frente e triste, ela retorna a casa de sua amiga conselheira Katherina. Neste encontro ela lembra de que quando era criança sempre ficava procurando joaninhas, até que um dia com o cansaço da procura adormeceu. Para sua surpresa e satisfação, quando despertou estava cheia de joaninhas pelo corpo. E Katherina aconselha sua amiga a viver deixando o passado para trás, curtindo as oportunidades que lhe apareceriam ao tempo e sem que ela percebesse, o que procurava viria ao eu encontro.
Neste momento do filme eu pensei, este rápido relacionamento com o lindo Marcelo em Roma, ao meu entender, foi como um oásis em meio ao deserto para que ela renovasse suas forças e prosseguisse para o que estava reservado a ela viver. E daí muitas coisas da minha vida relembrei, comparei e me enchi de pensamentos bons.
Para mim este filme foi encantador, cheio de poesias nas cenas e no enredo em meio a um cenário maravilhoso que é Toscana que tenho o sonho de conhecer.
Ele reacende uma esperança e nos desperta o desejo de preparar o trilho e descansar, aguardando o trem que um dia chegará para nos fazer atravessar novas pontes.
Não existe tempo e nem idade, sempre há possibilidade de sermos surpreendidas pela vida com o novo, enquanto vivos estamos.
Recomendo este filme a todos, principalmente aos que tem um coração sensível e romântico e uma alma eternamente apaixonada.
E para os mais maduros que como eu sonham ainda encontrar um novo amor, sem perder com o tempo o frescor e a vitalidade joviais, aproveitemos a maturidade e tornemos colorido estes dias de espera. Crendo que o melhor está por vir sempre!
Karina Horst

“O arrependimento só serve para nos atrapalhar no presente. Para azedar nosso momento presente”.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Diferenças


Vocês já se deram conta do que significa ser diferente?
Os pais podem gerar dez filhos, e até mesmo gêmeos, se observarem atentamente saberão que nenhum deles é igual ao outro, sempre terá algo que o diferencia dos irmãos e ao longo da vida dos amigos e grupos por onde tiver que conviver.
Observando as diversidades, percebemos os que gostam de samba e pagode, e os que preferem a ópera e o jazz, os que comem carne e os que são vegetarianos. Os que preferem praia, e os que preferem cachoeira, e tem os que gostam de tudo um pouco.
Mesmo em meio a tantas diferenças, vivemos em grupo, em sociedade, e assim vamos tentando nos adaptar as regras impostas e ditas como corretas para um bom convívio social, e isso até procede em algum momento. Mas imaginem o que seria do carnaval carioca, se todas as mulheres fossem magras como as modelos de passarela?
Um pouco mais além das características físicas, nacionalidade, crenças, cultura, intelectualidade, raça e gostos, quero colocar aqui a individualidade de cada ser humano que deve ser respeitada e compreendida.
E escrevo sobre este assunto, por ainda em minhas análises do comportamento humano, ver quantos ainda tentam impor ao seu companheiro de viagem, ou a um simples transeunte do seu caminho, a sua forma de ser, pensar e agir, manifestando-se sempre contrário a toda outra e qualquer expressão diferente da que julga ser a “certa”.
Acho que é possível aos que não são oligofrênicos, entender que nem todos os seus semelhantes são afins.
Cada um pode ter sua fé, sua moda, seus gostos, mas se tivermos sempre uma atitude crítica e aversiva a toda e qualquer diferença, os preconceitos aumentarão e a paz nunca reinará. O amor aceita o outro como ele é, ainda que não concorde com as atitudes. Não quero com isso justificar incoerências, maldades, impunidades, covardias e corrupções.
Agora vejamos, o que você acredita ser melhor, ser certo para você, nem sempre será o mesmo para o seu próximo, simplesmente por causa de sermos únicos.
Vamos todos pensar melhor nisto e assim abrir mão do egocentrismo infantil que teima em continuar nos deixando regredidos, acreditando que o mundo gira ao nosso redor. Vamos ser mais altruístas, vamos tentar elogiar mais que criticar, cada um tem este direito, mas é mais produtivo e saudável o incentivo.
Vamos tentar compreender as limitações e o tempo de cada um, antes de usar a língua ferina para julgar e falar mal do outro com alguém.
Chega de achar que seus pensamentos são os mais corretos, o tempo que perde em falar do outro gaste se auto-analisando e reconhecendo que também está cheio de falhas e defeitos. È possível que os que estão ao seu redor calados diante de seus defeitos, estejam evitando te falar a verdade, por saber que não tem inteligência emocional suficiente para ser capaz de compreender e mudar.
Sejamos humildes para aceitar críticas construtivas e fazer, quem tanto fala o que quer levianamente, pode acabar ouvindo o que não suporta, e ainda vai dizer que o outro é mal educado ou de temperamento difícil.
Somos respeitados quando respeitamos, quando sabemos até onde vai o nosso limite e entendemos que ninguém é tão sábio que não tenha o que aprender e tão inculto que não tenha o que ensinar.
Crescimento é um processo para todos, cada um ao seu tempo, por isto tenha paciência, é provável que ao seu redor alguém esteja tendo contigo.
Karina Horst – 31/08/10